sexta-feira, 13 de abril de 2012

Gerações X e Y nas empresas

Nos últimos meses temos apresentado várias palestras sobre segurança em mídias sociais e o foco de uma dessas apresentações é a Geração Y.



A Geração Y, grosso modo, refere-se às pessoas nascidas entre meados da década de 70 e o início dos anos 90. Na prática, é a 1ª geração que está usufruindo desde cedo de todos os benefícios da tecnologia, principalmente a relativa à comunicação como: TV, Internet e dispositivos móveis. Resumindo, não estão habituados com o uso de fax ou de fitas cassete. Não viveriam sem e-mails e redes sociais.


Alguns estudiosos dizem que a Geração Y não existe, pois anseiam pelas mesmas coisas que todas as outras gerações. (*)  Mas, então, o que muda? Acredito que essa diferença seja sutil e não dramática, afinal somos seres humanos e temos necessidades semelhantes. Podemos constatar que a maior diferença está na forma de atender a esses anseios. São pequenos detalhes que, somados, confundem a cabeça das pessoas e dificultam a condução dos projetos.


Observamos que, no ambiente de trabalho, os “Ys” tendem a não utilizar, nem gerar manuais. O processo de aprendizagem é baseado na tentativa e erro. Além disso, muitas vezes, não planejam suas atividades, buscando o improviso com certo grau de impaciência em relação aos resultados e ao tempo necessário para atingi-los.  

Tal ansiedade e impaciência (características da juventude), talvez sejam geradas em função de uma necessidade de ter voz ativa nas corporações e também por não gostarem de autoritarismo. Como a maioria das empresas segue modelos antiquados de gestão, baseados na hierarquia e no autoritarismo, essas características acabam sendo vistas como defeito e não como qualidade.


Outros pontos que distinguem a Geração Y são a grande familiaridade com a tecnologia e, principalmente, a maior proximidade com os pais. Essa geração fica mais tempo morando com os pais. Eu, por exemplo, saí de casa aos 18 anos e hoje percebo profissionais de 30 ou 35 anos, com relacionamentos estáveis, que ainda moram com os pais.


Vale ressaltar que as datas atribuídas ao surgimento das Gerações X e Y podem variar de país para país. Note, existem dois fatores preponderantes nesse aspecto: econômico (crescimento econômico e capacidade de consumo elevada) e tecnológico (aderência à tecnologia e boa infraestrutura de comunicação).  


Assim, em diferentes partes do globo podemos encontrar períodos distintos de transição de X para Y. Podem existir locais no mundo onde a Geração X ainda nem surgiu, não? Por exemplo, não esperem uma Geração Y em um país predominantemente agrícola, com baixa aderência à tecnologia e pouca infraestrutura de comunicação. Podem até existir indivíduos com características semelhantes às dos membros da Geração Y, mas para o fenômeno ser relevante nas relações de trabalho deve existir uma massa crítica.


No Brasil, o tema ganhou força a partir de 2005, justamente porque estamos vivendo um momento econômico de crescimento. Melhor infraestrutura de comunicação é um aspecto fundamental neste caso. Isso significa que existe mais espaço para ser um Y. As ofertas de emprego e salário aumentam e o preço da tecnologia cai. O acesso à informação fica melhor e tudo isso passa a ser mais acessível para um volume maior da população.


Entretanto, em países onde a crise é forte, a Geração Y está tendo, pela primeira vez, que lutar para conseguir o que quer. Agora, pode ser preciso aceitar empregos e salários não desejados, abrindo mão de algumas facilidades e de algumas de suas premissas.


Existe, de fato, no mercado atual, certo “endeusamento” da condição de Y. Assim, todo mundo quer ser Y. É algo mais relacionado à mídia ou moda do que uma necessidade real. Os aspectos da criatividade têm maior relação com uma melhor adaptação à tecnologia do que com o talento em si. Afinal, pessoas talentosas sempre existiram.


Não devemos confundir capacidade técnica e facilidade para utilizar a tecnologia, com capacidade de conduzir um projeto, liderar pessoas e entregar produtos e serviços. Nisso a Geração X é muito boa. Afinal, tudo que a Y usa hoje como ferramenta, foi entregue pela Geração X. (**) Entretanto, se o assunto envolve evolução da tecnologia, novos comportamentos, quebra de paradigmas e geração de novas ideias, talvez a Y seja a mais indicada.


Para os gestores, sejam eles de qualquer geração, o principal desafio é segurar essa moçada e mantê-la na estrada. A primeira coisa a ser feita pelo gestor é se atualizar sobre tudo em relação à tecnologia e à cultura. Isso mesmo, cultura! Música, roupa, estilo e modo de agir e pensar. Assim, a comunicação fica mais fácil. Talvez você, caso seja um X, até goste no final das contas. Se for um Y tem que se manter atualizado, pois hoje as coisas mudam muito rápido e a geração Z logo estará batendo na porta das corporações.


Em modelos de gestão nos quais indivíduos da Geração Y estejam envolvidos, para que você, gestor, tenha sucesso, procure adotar as seguintes ações:


01) Os gestores devem ter clareza e objetividade para liderar esse pessoal. Os “Ys” gostam de informações precisas e técnicas, por isso as instruções devem ser embasadas e diretas;


02) A Geração Y só obedece aqueles que admira, portanto, não adianta impor o modelo de autoritarismo. Mostrar que chefia e subordinados fazem parte da mesma equipe e que juntos atingirão as metas, é o que eles querem;



03) É preciso dar feedback a eles, de maneira informal e clara, sem muitos rodeios. Eles gostam de se sentir a vontade para conversar com o líder;



04) É muito importante que os gestores deem liberdade para os jovens expressarem suas opiniões e ideias. Por que não colocar algumas delas em prática se forem realmente boas? Isso os motiva e eles se sentem prestigiados e valorizados dessa forma.


E se pensarmos também nas colaborações dos usuários “Ys”?


Criando um grupo para auxiliar no planejamento e execução de um projeto, podemos incluir os “Ys” formadores de opinião. Você poderá trazer questões para serem discutidas e decididas pelo grupo. Pode inclusive dar certo grau de poder para o grupo. 


É uma ideia interessante, principalmente se esse grupo permanecer durante a execução ou implementação do projeto. Assim, além de contribuir com o projeto em sua concepção, isso deve melhorar o processo de feedback e minimizar as resistências internas de toda a equipe.



Desta forma, podemos canalizar as características questionadoras e a onda colaborativa que existe hoje no mercado para o bem do projeto.


Acredito que o modelo ideal de equipe é aquele em que conseguimos ter um balanço entre as várias gerações, no qual cada um atue, de acordo com o seu perfil, onde possa ser mais eficiente.



Esse é o grande desafio de hoje.



Notas


(*) Uma pesquisa realizada pelo professor Jean Pralong, da Escola de Negócios, em Rouen, na França (publicado na Revue Internationale de Psychosociologie em 2010), afirma que “não há diferença de gerações entre as atitudes das pessoas no trabalho”. O estudo foi realizado com 400 participantes de formações similares, variando de alunos até trabalhadores assalariados com 60 anos. A pesquisa mostrou que as atitudes no local de trabalho e as ideias sobre carreira da Geração X (nascidos entre 1959 e 1981) são as mesmas da chamada Geração Y. Em tese, isso mostra que, no plano científico, “a Geração Y não existe”, afirma Pralong.


(**) Uma pesquisa do instituto de pesquisa Forrester Research com 2.000 trabalhadores de TI revelou que não é a Geração Y que está fazendo com que os negócios adotem tecnologias colaborativas. A Geração X, aqueles que têm entre 30 e 43 anos, estão liderando a corrida em direção à computação social. A Geração “Y” (os Millenials), aqueles com 29 anos ou menos, ainda não têm influência dentro das organizações para provocar mudanças reais. São os empregados pertencentes à Geração X,  grupo demográfico que mais cresce no Facebook, os responsáveis por fazer com que a gerência aceite novas tecnologias como algo além de uma moda passageira.


Referências


Generation Y - From Wikipedia, the free encyclopedia
http://en.wikipedia.org/wiki/Generation_Y
HSM Blog - Todo mundo quer ser Geração Y
http://www.hsm.com.br/blog/2011/07/todo-mundo-quer-ser-geracao-y/
Site WebHolic – Esqueçam a Geração Y
http://webholic.com.br/2009/10/08/esquecam-a-geracao-y/

3 comentários:

  1. Parabéns pelo blog, fui ao Roadshow e gostei muito dos temas abordados e vim dar uma olhada no blog e gostei muito.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado, volte sempre e pode propor temas relacionados se quiser

      Excluir